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sexta-feira, fevereiro 01, 2008
Henry Charles, o Supernauta - Um Buddha do Século XXI(CAPÍTULO I: ANIMAIS)

 

... E assim, nosso jovem Ulisses começa seu advento. Lá está ele, parado na entrada do Los Angeles International Airport. Puramente guiado pelo instinto, e com uma ligeira azia, que ele chama de "fome", mas na verdade é um terrível medo que ele sente, pois não sabe o que lhe espera. Na verdade, Henry Charles não tem nada com que se preocupar. Nunca teve. Pela primeira vez, ele sente o sentimento da solidão.


"Será que é isso mesmo, se sentir 'anônimo'? Acho que não, só conhecerei essa sensação em outra vida."


Assim pensou Henry Charles. Deixando suas preocupações como o filho de um cafetão bilionário, ele logo se dirigiu ao balcão de vendas de vôo. Foi direto ao assunto.


"O primeiro vôo internacional que você tiver, por favor."


Lógico, pegou a pobre atendente de surpresa, que, além de reconhecer o seu rosto familiar, chocou-se com a indagação espontânea do socialite. A moçoila, jovem, fofoqueira, e no seu primeiro ano de trabalho, continha seu sorriso, e lhe respondeu um breve "Sim senhor, deixe me ver qual seria o primeiro..." (como sugeria o código de ética da empresa). Algumas clicadas de mouse, e alguns minutos depois, a moça lhe informa seu primeiro destino:"Argentina."


"América do sul... por que não? De lá, só conheço turismo sexual de menores, putaria e violência. Sempre pensei negativamente daquele lugar. Mas sempre senti algo que nunca senti em outro canto do mundo. Uma magia, uma força. Não, quem sabe uma aura. Algo indescritível que irradiava daquele povo."


Com essas últimas ponderações, Henry compra suas passagens (primeira classe, obviamente), e dirige-se logo em seguida para o saguão de espera. Na espera, manda seus últimos recados para pais, diretores de venda, agentes e assessores, que a partir daquele momento, ele entra em férias. Sem mais, nem menos. Ele sabia muito bem que deixaria de lado muita gente, e seria um grande prejuízo para empresa. Principalmente se isso vazar publicamente. Já que seu pai deixou praticamente todo o trabalho pro seu filho. Um peso na consciência do jovem rapaz, mas não tão grande quanto esse que lhe flagelava a alma. Essa peregrinação é necessária.


Pouco depois de esclarecer a suas contas via Tryo, ouve a chamada do seu vôo. Dirige-se tranquilamente à sua poltrona, com gentis palavras de intimidade e familiaridade da aeromoça como:"Senhor Charles, é um prazer tê-lo em nosso vôo. Siga-me. Seu assento é esse. Uau, o senhor é ainda mais bonito pessoalmente...". Nunca tinha visto a aeromoça. Mas já estava acostumado com esses comentários. E já sabia que aquele excessivo sorriso e atendimento só podia significar que ela estava afim de uma foda. E era. Henry resiste às inúmeras tentações indiretas da jovem moça fogosa. Até o jantar, quando recebe um bilhetinho entre os talheres, dizendo:"Henry, não se faça de bobo, você sabe que estou louca por você. Venha me visitar no salão dos comissários de vôo, logo após seu jantar. A moça foi curta e grossa. Como foi nosso Supernauta. Viva ao sistema anti-ruído presentes nos banheiros dos aviões de hoje em dia.


Comida, sexo, confortos, músicas, séries e filmes depois, finalmente estamos na Argentina. Ao desembarcar, ele sabia que não seria tão ruim, pois a Argentina tinha fama de sofisticada, elegante, enfim, "chique", definia seus pensamentos sobre essa terra. Ao sair do aeroporto, já tinha um motorista da filial do puteiro da família dele lhe esperando.


"Por favor, señor Charles, sua limusine está aqui."


Henry já esperava por essa. Não tinha avisado ninguém, além da diretoria e sua família, sobre seu recesso. Mas sabia que não iriam lhe deixar em paz, por um só minuto. Sabe que terá que aguentar essa pro resto da sua viagem. Cada um com o seu carma, não é mesmo?


Champagne, banco de couro, praticamente um apartamento lá dentro, Henry se sente em casa. Com um olhar catatônico, e desviado, ele gira a sua taça de champagne renomada, chama o seu motorista, e lhe faz algumas perguntas bobas, sobre como ia a família dele, se lhe pagavam bem, se estava feliz com seu trabalho, pra que time ele torcia. O motorista respondia, gaguejando, e com medo, pois nunca esperaria uma atitude dessa do filho do dono daquele monopólio, onde ele era apenas mais um fantoche. Henry percebeu o seu desconforto, e não insistiu nas perguntas. Porém, conseguiu ver o seu sorriso caloroso através o retrovisor.


"Pequenos momentos de felicidades que fazem o dia valer a pena."


Uma efusiva sensação de gentileza, e satisfação o invadiu. Uns 45 minutos depois, e lá estava ele, em mais uma das ramificações internacionais da sua "casa de prazer". Como todas as outras, é muito bem arrumada, e com um ambiente bastante agradável, para um puteiro. O motorista carrega as suas malas até a suite presidencial, cujo motorista lhe garante que aquele quarto nunca tinha sido usado. Ele não se importava com esses pormenores, mas lhe agradeceu pela informação, e lhe dá uma valiosa soma de euros para ele e sua família. O motorista, muito agradecido, lhe beija a mão, e puxa um pouco bastante o saco dele, lhe fazendo reverências mil, e comparando-o a um santo. Algo dizia a mente nada inocente de Henry que ele não usaria esse dinheiro pra família. Mas o que Henry poderia fazer naquele momento? É. Nada. Ficou feliz com felicidade "duvidosa" do motorista desconhecido.


"Pena que toda felicidade é espontânea."


É cedo ainda. "11h30", marca o ponteiro digital de seu iPod. Está sem sono e disposto. Afinal, depois de uma boa foda com uma vagaba aproveitadora, e uma luxuosa noite de sono na primeira classe dos aviões de hoje em dia, ele não tinha com o que reclamar. Henry logo dirigiu-se ao gerente daquele lugar, e lhe perguntou que queria um lugar "agradável, que não seja chique, snob, que seja para todo mundo, e de preferência, fora da cidade, algo que poucas pessoas conhecem"(essas foram as exatas palavras que saíram da boca de Henry) para ele conhecer. O gerente o recomendou um zoológico.


"Zoológico?"


Com essa resposta estranha de Henry, todos lá presentes fizeram uma cara de "fodeu", para ser claro. Alguns já se preparavam para se despedir do gerente carniceiro. Vários comemoraram. Até o gerente fez uma cara de espanto. Se percebia de longe que o coração dele batia forte, e que estava suando frio.


Henry retirou seu rosto surpreso, sorriu, e achou uma excelente idéia. Afinal, há algo mais original do que ir para um zoológico? Com certeza diferente, e um tanto quanto irreverente. Que viajante espiritual iria para um zoológico para concentrar o seu chi? É, mas Henry achou uma ótima idéia. Nunca visitou um zoológico antes. Então foi com o motorista de ontem, que parecia muito abalado e cansado. Henry não teve dúvidas que ele usou aquele dinheiro para aloprar.


"Tá certo, tem que zoar mesmo."


Henry riu por dentro, e se conformou com uma situação clássica para ele. Sem nenhuma trocas de palavras dessa vez, pois Henry não cessava de pensar. E lá estão eles, no tal zoológico. Henry gentilmente pede para que o motorista fique por lá mesmo, e vai. Paga a entrada, e logo percebe que aquele zoológico está muito além do normal. Não era como imaginava. Era muito bem organizado, bonito, limpo, cuidado. Enfim, de primeira vista, maravilhoso! E lá vai Henry, conhecer os Animais.


Era praticamente um parque. Fugia de todo e qualquer pensamento que ele tinha de um zoológico. Nunca imaginaria que fosse tão interativo. Conheceu todos os tipos de Animais: jacarés, lêmures, flamengos, peixes de água doce e salgada, até chitas e um solitário tigre branco!


Na sua empolgação, ele achou tudo fantástico. Achou lindo. Pareceu que ele voltou à sua infância. Nem ele mesmo se reconheceu mais. Estava maravilhado com as criações da natureza. Mas mesmo nessa onda de êxtase, ele sentia que algo estava errado. Foi num descanso de 5 minutos em um cadeira de uma praça de alimentação local, que ele percebeu.


Uma intensa tristeza. Foi isso que ele sentiu. Não sabia como, ou por quê. Mas sentiu. Felicidade, de repente, uma mórbida melancolia o invade. Ele queria vomitar. Foi um péssima sensação. Uma sensação que Henry queria cuspir, exorcizar. Logo ele levantou. Não sabia o que estava acontecendo, até voltar ao lote do tigre branco.


Um tigre triste, tão mórbido quanto a sensação que ele sentia naquele momento. Henry o definia como um suicida. Mas não só ele. Todos os outros animais lá presentes expeliam essa nefasta sensação de abandono, aprisionamento, e morte.


"Pobre chita, que corre 120km/h nas suas caças, e agora está com um terreno de 100m², para o delight de seus visitantes. Pobre tigre branco, que costumava caçar nas montanhas rochosas do himalaia, e agora, se encontra com uma comida preparada, fatiada, tratada, e fresca. Pobre lêmure, que sempre vigia no lugar mais alto, para proteger o seu grupo de predadores. Ele vigiará pelo resto de sua vida, e nunca encontrará nenhum predador... Sádico."


Afinal, quem era mais animal aqui? Eles, ou ele? Por que será que eles têm que estar enjauladas? Por que será que eles viraram atração, show, para os humanos? Porque os humanos fizeram assim. Eles mataram, e dominaram. Consquistaram a terra, e a ciência. Conquistaram o poder do conhecimento, e da criação. Eles viraram Deus, em questão de milênios. Os seus únicos inimigos são eles mesmos, por tão poderosos que são. Hoje em dia, não se teme um tigre, nem um urso ou um lobo. Se teme um assassino, um ladrão, um maníaco. A Terra virou palco de uma Divina Comédia; uma brincadeira nem um pouco sana, com poderes divinos, de criar e destruir.


"Eles impõe a sua própria condição. A Terra é deles, e será modelada como eles querem, do jeito que eles quiserem, e quando eles quiserem. Eu só espero que o dia que Deus queira brincar de deus não chegue tão cedo. Eu preferia me ver morto, que me ver preso, por paredes e vidros, sob o olhares de vários. Um espetáculo."


Henry saiu de lá com uma raiva pútrida. Cara fechada, olhos rancorosos, corpo tenso. Henry apavorava todos os outros visitantes, tamanha decepção do nosso amigo.


"Será mesmo? Que somos tão animais assim? Poder acima de tudo? Controle da natureza, do mundo, das terras, do próprio ser humano! Será mesmo? Eterno confinamento, alimentados corretamente e regularmente, fim dos instintos, fim da vida."


O seu pai, os diretores, a moça do balcão, a aeromoça vadia, o motorista. Inocentes ou não, participam da maligna turbulência que alimenta essa caça por poder. Mas fique tranquilo, Henry. Pois toda cobiça desenfreada, resulta em fim. Por precaução, a vida desse planeta tem um ciclo. Um ciclo de criação e destruição. Até hoje, nenhum conhecimento, nenhuma cultura conseguiu se preservar por muito tempo... o final sempre foi iminente. Vai depender dessa sua geração de seres humanos. Se vocês querem o recomeço do ciclo, ou a continuação do seu legado.


Mas para isso, vocês precisam conhecer o balanço.


... Após algumas piscadas, Henry se encontrava caído no chão, cercado de muita gente, e estava sendo acudido pelo seu fiel motorista recém-conhecido. Uma algazarra que lhe deixou um tanto quanto envergonhado. Afinal, nunca tinha desmaiado. Como um bom jovem de 17 anos, ele se levantou vigorosamente, no mesmo instante, e recusou qualquer tipo de ajuda, por mais que insistissem. Esperto, logo correu para sua limusine e fugiu de lá o quanto antes.


Na viagem de volta para o seu puteiro local, ele desabotoou alguns botões, tirou o sapato, ficou mais confortável, e perguntou:


-"Hmm e aí cara... aproveitou o dinheiro que eu te dei ontem?"

-"Ay chefe... sabes... peguei minha mulher com um outro hombre na cama logo após chegar em casa. Fui correndo para avisá-la da quantia que recebemos de você. Eu estava tão feliz. Estou tão endividado. Com o governo, com a escola de meus filhos, com a hipoteca da casa. E o que o señor me deu, era exatamente o que eu precisava para acabar com minhas dividas. E eu pego AQUELA ORDINÁRIA com outro hombre... e esse hombre era padrinho dos meus filhos!! O señor tem noção do que é isso!! Agora estou abandonado sozinho nesse mundo. Brigamos a noite inteira, e no meio da briga, acabei esfaqueando o filho-da-puta. Ele não morreu, conseguiu fugir. Mas temo que ele faça uma "vendetta". Tive que abandonar aquela casa, por segurança. Perdi tudo, señor... todo!!!!"


Com essas palavras, Henry calou-se de vez.


Animais.






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Expelido por: larica às 23:23
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