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quinta-feira, fevereiro 28, 2008
Henry Charles, o Supernauta - Um Buddha do Século XXI(CAPÍTULO II: O BÊBADO E O EQUILIBRISTA)

 

Não queria ouvir ninguém, muito menos falar com alguém. Já tinha passado sua raiva corrosiva. Agora Henry se encontra triste e desolado, com uma pesada expressão de abandono e decepção. É isso mesmo. Henry está extremamente decepcionado. Nenhum pensamento flutua mais na sua fértil mente. Nenhuma palavra alcança seus ouvidos. Nenhuma cor chega aos seus olhos. A última coisa que ele vê, é ele no seu quarto presidencial deluxe, e todo aquele glamour, que para ele transformou-se em uma flor morta, sem vida, nem força. Ai ai ai, Henry... que irás fazer agora? Sem dúvidas, bobagem. E não é que eu acertei. Lá está, Henry se acabando com os destilados mais pesados, e caros que ele achasse. Tudo em um gole. Não dava nenhuma chance para a degustação. Um verdadeiro desperdício. Pobre Henry. Após alguns litros de álcool, Henry se encontra trêbado. Em um momento de euforia e torpor, Henry aproveita para quebrar algumas coisas no quarto. Mas graças a Deus, durou pouco. Logo o fluxo iminente chegou, com toda a força do mundo. Henry cuspiu sua alma na privada, melecando o banheiro inteiro, decorado de ouro e pedras preciosas, de vômito. Argh, nojento.

"04:32AM"

Assim marca o relógio digital do banheiro. Ao abrir lentamente seus olhos, tudo começava a entrar em foco novamente. Sua consciência ainda estava meio remota, contudo ela chegou. O horário do relógio, e o nauseabundo cheiro de cadáver com bile, o despertaram no mesmo instante, criando uma terrível sensação de remorso. Estava um necrotério aquilo. As longas horas de sono foram o suficiente para apodrecer todos aqueles dejetos orgânicos. Estava na hora de limpar aquilo. E o limpou. Porém precariamente. Henry Charles sabe fazer mil coisas, mas trabalhos domésticos nunca foi um ponto forte dele. Na verdade, ele simplesmente jogou algumas toalhas pelo vômito, e tomou um banho. Uma limpeza boçal. Em seguida, teve a decência de deitar-se na sua cama, que estava um pouquinho bagunçada.

Um terrível brilho ofuscante, um amargo gosto de bile na boca, e uma medonha dor de cabeça. Essas foram as sensações matinais do nosso Supernauta. Henry dá algumas voltas na cama, pois estava limitado. A dor de cabeça o impedia de muitos movimentos. Mas nada como o tempo para curar algumas coisas, certo? Quando ele se sentiu um pouco mais recuperado, não hesitou e tomou muita água. Sempre ajuda. Tomou, e tomou. Voltou à cama, e viu que estava um belo dia. A brisa estava gostosa, e logo ligou seu MP3, e animou-se a batida reggae da banda do Sting. Parecia que ele não queria se lembrar de nada. Estava distante, impassível. De repente, achou uma boa idéia acender aquele charuto cubano. Já fazia tempo que ele queria fazer tal.

A porte abre. Lá está seu fiel escudeiro, o motorista, acompanhado do gerente da casa. Os dois aos berros. Henry, curioso e confuso, com o charuto tão cobiçado na boca, se debruçava na janela, ao ritmo, desta vez, de Pat Metheny Group. Teve que interromper sua sessão de música & relaxamento, para resolver a baderna.

"Mas que merda está acontecendo aqui? Por acaso chamei os dois para virem brigar especialmente no meu quarto?"

Com essas firmes e fortes palavras, o gerente, literalmente estava cagado. Suas pernas bambeavam, suava frio, hiperventilava, e fazia a cara de desespero mais estranha do mundo. 'Dessa vez eu não passo.' Assim pensava, o pobre empregado. Henry parecia calmo. Ele só não gosta de brigas. Então, exigiu explicações. O gerente já saiu xingando, gritando, e culpando o pobre motorista, que queria de qualquer jeito vê-lo. Mas como Henry tinha pedido para ninguém interrompê-lo (Henry não se lembra disso), o gerente cumpriu a ordem. Sobrou pro motorista trabalhador e sofrido. Mas ele, pelo contrário, não mostrava nenhum sinal de pavor. Seu corpo exala confiança. Isso aqueceu a bondosa alma de Henry, que logo dispensou o gerente nervoso, e pediu para que o motorista ficasse.

"Primeiramente, eu gostaria de saber seu nome... já nos conhecemos tão bem, e nem seu nome eu conheço não é? Que descortês da minha parte."

Um sorriso confirmou a tal confiança do gentil motorista, que se intitula como 'Juan'. Os dois se apresentam, e apertam as mãos. Henry não pediu nenhuma explicação, muito menos detalhes. Pediu para sentar no sofá da sala de recepção da suite presidencial, e lhe perguntou se queria algum drink. Juan não podia, claro. Afinal, ele é o motorista. Henry desculpou-se pela gafe, e preparou um suco de tomate para ele, com direito a enfeite e tudo. Juan sentiu um momento de serenidade. Nunca imaginou que Buenos Aires poderia parecer tão linda. A varanda que se esbaldava no Porto Madero trazia todas as maravilhas de uma cidade portuária direto para o seu rosto. O céu, o sol, a brisa. Que maravilha. Após esse pequeno lapso, Juan vê seu amigo oferecer-lhe um charuto cubano. Ele teve que aceitá-lo. Afinal, Juan não pode beber (por enquanto), mas também é filho de Deus, certo? Henry senta-se em uma confortável poltrona, e começa a fazer perguntas bobas, sobre a vida e o mundo para seu companheiro. Risos e gargalhadas invadem a sala, e o Henry sente-se obrigado a botar o seu jazz fusion para tocar denovo. E lá estavam os dois, descontraídos e felizes, olhando para o lindo porto que os enchem de graça.

"-Quieres conocer Buenos Aires, senõr?

-Não me chame mais de señor, por favor. Simplesmente Henry."

E com essas palavras, e um sorriso mútuo, os dois levantam-se das suas respectivas poltronas. Encaram-se com um olhar de concórdia, e apressam-se para a luxuosa limusine. Um encanto, para Henry Charles, que sempre foi curioso para conhecer direito a realidade dos países da América do Sul. Conheceu uma das mais belas, e completas bibliotecas do mundo, o Atenon. Passou pelo teatro Colón, que foi alvo de sutis gargalhadas, por causa do nome sugestivo. Juan entrou na brincadeira, mas explicou-lhe que era em homenagem ao descobridor espanhol do novo mundo. Conheceram as belas construções tipicamente inglesas do Porto Madero. Aproveitaram, obviamente, para tomar um helado naquele sol seco, porém aconchegante.

O dia se escorre como areia na mão dos mortais. O sol começa a descer, e nossos amigos se encontram no cemitério/bairro mais badalado do mundo, a Recoleta. Realmente, coisa de argentino. Mas fazer o quê? O lugar é receptivo e agradável. Um paraíso turístico. E que belo por de Sol... estamos no alto de um morro. O cemitério se encontra a nossa esquerda, e no caminho um belo parque, populado por árvores centenárias, e orquídias. E o Sol... e o Sol, brilhava com tanto esplendor, despedindo-se de mais um dia. Irradiava seus últimos suspiros, para dar lugar a nossa dama, a Lua. Um espetáculo ofuscante de luzes gloriosas. O Sol, dependendo do lugar, se empolga. É incrível isso, não é? Nada melhor como um cafezinho, acompanhado de uma apresentação tão magnífica. Merecia aplausos.

A noite chega, porém o brilho solar permanece guardado no coração de Henry. Hora de pagar a conta, e pensar em encerrar o dia. Mas antes, ele deseja dar uma caminhada por aquele bairro. A caminhada vai um tanto quanto silenciosa. Os dois, cansados do longo dia de diversão. Os olhares dispersos, e curiosos de Henry invadem as construções argentinas, procurando qualquer detalhe minucioso para analises posteriores. Juan, quanto a ele, procurava soluções para seus problemas. Pobre Juan, mesmo feliz naquele instante, lembrava-se dos inúmeros conflitos que o afligem no momento. Pena que toda mágoa também não é tão efêmera quanto à felicidade. Quando, de repente, Henry para. Ele volta atrás, agacha-se e pergunta para o mendigo.

“Por que você está aqui?”

Claro, como já é esperado, o mendigo fica surpreso com a indagação, e ri do ridículo do inesperado. Henry não entende. Juan fica aflito. Como que um príncipe como Henry está falando com esse desabrigado esquecido? Por isso, ele começa a cutucar e puxar Henry, constrangido pelo evento. A resposta de Henry foi clara, dura, e objetiva, como sempre. Juan afastou-se com a voz firme, mas ainda estava desconfiado.

Henry não conseguiu deixar de perceber que ele tinha algumas anotações, bem escritas e organizadas, em um papel ainda limpo.

“Posso vê-las?”

O mendigo, ainda um pouco incomodado, faz algumas caras feias, mas percebe que a intenção é boa do garoto.

Queime-me Mormaço,

Pois nesta sociedade de aço,

Sou apenas mais um fracasso.

Esses eram os primeiros versos em que Henry grudou seus olhos. Surpreendeu-se com o curto poema. Nunca esperou tanto de um mendigo. Cada palavra o tocou profundamente. Ele ficou estupefato, boquiaberto. Não sabia o que falar:

“-Mas que belo poema. Fazia tempo que palavras não me tocavam tanto.

-...”

Como sempre, o jeito direto e espontâneo de Henry falar impressiona qualquer um:

“-Você se sente um fracasso?

-Vamos dizer, que sou um fracasso necessário.

-Por que necessário?

-Necessário para você ser o que você é hoje.”

Silêncio, e ponderações predominam a mente de Henry, nesse momento.

“-Hmm, mas por que essa exclusão tão radical? Por que você prefere sentar no meio da calçada, assistir todo mundo passar e sentir pena de você, se alimentar do que você recolhe da esmola, e levar a vida desse jeito?

-Porque eu defendo meus ideais. Viver em sociedade não combina comigo.

-Mas viver fora da sociedade, é a exclusão absoluta do indivíduo. Antes morto, que um excluído vivo!

-Mas eu ainda prego pela minha vida. Acho que ela ainda tem algumas magias encantadoras.

-Que magias?

-Ora, essa nossa conversa, por exemplo.”

Um breve momento. Dois sorrisos. Os dois tinham algo em comum. O questionamento. A eterna dúvida sobre a vida, a alma, o ser humano, o planeta terra. Nosso universo. Vasto, e misterioso. Ninguém sabe deveras o que é, e não é. O que faz sentido, e o que não faz. O que existe, e não existe. Mas, esse mendigo, é diferente de tudo. Pode ser considerado como “não-humano”. Ele se distancia demais do coletivo. Ele não gera lucro, não produz capital, não é um número no governo, e também não contribui para tal. É uma pedrinha de areia, no sapato da sociedade. Insignificante, porém firme, e corajoso, de desafiar a sua própria razão de viver, que é conviver, e contribuir para o infame ‘sistema’.

Tudo isso, por ideais. Por ideais em que ele acredita. Que nobre.

Mas afinal, quem está certo nessa história? Um bêbado, que traça sua vida em passos tortos e desequilibrados, ou o equilibrista, que se empenha com muita dedicação em dar cada passo, com muito cuidado, pois um passo errado poderia ser fatal? Quem está certo? A pessoa que defende seus ideais com tanto rigor, como o mendigo, ou a pessoa que esconde seus ideais, para poder viver confortavelmente, como Henry? Será que é errado, sacrificar tanto, por ideologia?

Henry acorda mais uma vez tonto, fora de si. Juan, desesperado, junto com o mendigo e um grande número de pessoas, tenta acudi-lo. Com a visão ainda mal-focada e torta, Henry levanta-se rapidamente, pede desculpas para todo mundo e diz que está bem. Todos insistem para que ele faça uma vistoria medical, mas ele recusa persistentemente. Apavorado pela multidão, despede-se do sábio mendigo, agradece suas palavras, que abriram muitos caminhos para Henry, e roga pela sua saúde. O mendigo o agradeceu de volta, sem nenhuma palavra, só um simples sorriso.

Um simples sorriso.

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Expelido por: larica às 19:54
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